NEUROLOGIA
Estudo comprova que irritação e estresse são inimigos da memória
Tais traços promovem um envelhecimento cerebral de mais de 10 anos, apontam os autores
Jovens com atitudes hostis frequentes ou que não lidam bem com situações adversas podem ter risco aumentado de sofrer com problemas de memória e raciocínio décadas mais tarde, sugere um estudo publicado na revista Neurology, editada pela Academia Americana de Neurologia. Segundo cientistas dos Estados Unidos, pessoas mais hostis ou incapazes de enfrentar o estresse de momentos desagradáveis apresentaram um desempenho significativamente pior em testes que medem as duas habilidades cognitivas. Tais traços promovem um envelhecimento cerebral de mais de 10 anos, apontam os autores.
“Nós podemos até achar que nossos traços de personalidade não têm qualquer relação com quão bem raciocinamos ou lembramos as coisas, mas descobrimos que ter uma atitude hostil e habilidades pobres de enfrentamento causa um efeito sobre a capacidade de raciocínio que equivale a mais de uma década de envelhecimento”, conta Lenore Launer, coautora do estudo e pesquisadora dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), nos EUA.
“Nós podemos até achar que nossos traços de personalidade não têm qualquer relação com quão bem raciocinamos ou lembramos as coisas, mas descobrimos que ter uma atitude hostil e habilidades pobres de enfrentamento causa um efeito sobre a capacidade de raciocínio que equivale a mais de uma década de envelhecimento”, conta Lenore Launer, coautora do estudo e pesquisadora dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), nos EUA.
Na pesquisa, 3.126 pessoas foram questionadas sobre sua personalidade e principais habilidades, além da capacidade de memória e de lidar com o estresse. Para avaliar a hostilidade, os cientistas perguntaram aos participantes, que tinham, em média, 25 anos, sobre a frequência de comportamentos agressivos, falta de confiança nos outros e sentimentos negativos associados às relações sociais. Também investigaram a dificuldade que tinham em lidar com situações em que muitos obstáculos dificultam o sucesso.
Os voluntários foram, então, divididos em grupos de acordo com seus níveis de hostilidade e dificuldade de lidar com situações estressantes. Duas décadas e meia depois, quando a média de idade era de 50 anos, as pessoas que ainda podiam ser contatadas foram submetidas a testes de raciocínio e memória, nos quais aqueles que apresentavam na juventude níveis altos de hostilidade e de dificuldade de lidar com desafios apresentaram pior desempenho.
Por exemplo, no exame em que os indivíduos eram orientados a recordar uma lista de 15 palavras, os mais hostis lembravam, em média, 0,16 palavra a menos do que os mais tranquilos. O desempenho dos pouco resistentes ao estresse foi ainda pior quando comparados aos resilientes, com média de 0,3 palavra a menos.
Os resultados se mantiveram quando os investigadores ajustaram fatores como depressão, eventos negativos da vida e discriminação. Mesmo quando fatores de risco cardiovascular que costumam afetar a cognição, como diabetes e pressão arterial elevada, foram considerados, os resultados permaneceram os mesmos para o traço de habilidade de enfrentamento. A relação entre a hostilidade e habilidades de raciocínio, contudo, foi reduzida.
Associação
Os voluntários foram, então, divididos em grupos de acordo com seus níveis de hostilidade e dificuldade de lidar com situações estressantes. Duas décadas e meia depois, quando a média de idade era de 50 anos, as pessoas que ainda podiam ser contatadas foram submetidas a testes de raciocínio e memória, nos quais aqueles que apresentavam na juventude níveis altos de hostilidade e de dificuldade de lidar com desafios apresentaram pior desempenho.
Por exemplo, no exame em que os indivíduos eram orientados a recordar uma lista de 15 palavras, os mais hostis lembravam, em média, 0,16 palavra a menos do que os mais tranquilos. O desempenho dos pouco resistentes ao estresse foi ainda pior quando comparados aos resilientes, com média de 0,3 palavra a menos.
Os resultados se mantiveram quando os investigadores ajustaram fatores como depressão, eventos negativos da vida e discriminação. Mesmo quando fatores de risco cardiovascular que costumam afetar a cognição, como diabetes e pressão arterial elevada, foram considerados, os resultados permaneceram os mesmos para o traço de habilidade de enfrentamento. A relação entre a hostilidade e habilidades de raciocínio, contudo, foi reduzida.
Associação
Por ser um estudo observacional, Launer ressalva que não se pode garantir que há uma relação de causa e efeito entre os traços de personalidade e as habilidades cognitivas. Os resultados, contudo, revelam uma forte associação. “Se essa ligação for encontrada em outros estudos, será importante investigarmos se mudanças que promovam interações sociais positivas e habilidades de enfrentamento reduzem o risco de problemas de memória e raciocínio na meia-idade”, afirma a autora.
Estudos anteriores ao de Launer encontraram resultados semelhantes, informa Susan Everson-Rose, professora-associada do Departamento de Medicina da Universidade de Minnesota, nos EUA. Estudiosa do campo, ela explica que a exposição ao estresse agudo e crônico pode afetar a aprendizagem e a memória. “Mas a maioria das evidências vêm de estudos com animais ou observações clínicas. Quase não há estudos de base populacional investigando a relação do estresse com alterações de cognição ao longo do tempo”, diz a especialista.
Estudos anteriores ao de Launer encontraram resultados semelhantes, informa Susan Everson-Rose, professora-associada do Departamento de Medicina da Universidade de Minnesota, nos EUA. Estudiosa do campo, ela explica que a exposição ao estresse agudo e crônico pode afetar a aprendizagem e a memória. “Mas a maioria das evidências vêm de estudos com animais ou observações clínicas. Quase não há estudos de base populacional investigando a relação do estresse com alterações de cognição ao longo do tempo”, diz a especialista.


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